Archive for November, 2008

Imprensa britânica fala dos super-ricos do Brasil

Saturday, November 29th, 2008

O jornal britânico The Guardian, um dos mais importantes e influentes daquele país, publicou em 29 de novembro de 2008 uma reportagem intitulada “Super rich buck global trend and spend, spend, spend”, cuja tradução é “Super Ricos do Brasil ignoram tendência global e continuam gastando, gastando, gastando“.

Abaixo, tradução da reportagem:

A cancela de segurança move-se lentamente, abrindo passagem para mais uma luxuosa caminhonete de tração nas quatro rodas, com seus ocupantes encobertos por vidros fumê à prova de bala (nota desse blog: a reportagem refere-se ao Jardim Pernambuco, condomínio de luxo no Rio de Janeiro em que as ruas, embora públicas, foram bloqueadas por cancelas; ver, a propósito, reportagem sobre o Jardim Pernambuco).

Próximo dali, sob a sombra de uma jaqueira, um grupo de operários empoeirados dá a parada matinal de seu trabalho: construir mais uma luxuosa fortaleza cercada por palmeiras em Jardim Pernambuco, um casulo de 140 mansões de milionários situado numa colina no sul do Rio de Janeiro, o coração da alta sociedade brasileira.

Enquanto a crise de crédito causa estragos em todo lugar, os super-ricos do Brasil até agora estão relativamente incólumes. As brilhantes páginas de revistas para ricos estão cheias de anúncios de página inteira de spas de luxo, bolsas de designers e braceletes de diamante que custam mais do que muitos brasileiros ganham em toda a sua vida. Corretores de imóveis de luxo afirmam que eles estão ocupados como sempre, enquanto uma nova leva de hotéis super-luxo estão sendo lotados todos os finais de semana.

Um estudo recente conduzido pela MFC Consultoria e Conhecimento, um grupo brasileiro especializado em pesquisas sobre o mercado de luxo, mostrou que o mercado de Luxo no Brasil, conhecido no país como Mercado AAA, cresceu 17% em 2007 e espera-se que tenha taxas parecidas em 2008.

Brasil é um dos líderes mundiais no ranking de novos milionários. Nos últimos dois anos o número de milionários pulou de 130.000 para 220.000 e, até agora, a crise econômica não fez que eles parassem de consumir. “Os líderes de mercado no Brasil são Louis Vuitton, Dior, Versace, Armani, Valentino, Gucci e Prada”, afirmou um dos diretores da MFC.

Desde a cidade amazônica de Manaus até as metrópoles do sul como São Paulo e Rio de Janeiro, um número crescente de condomínios e lojas de luxo estão abrindo seus portões de segurança, quadras de tênis e piscinas para os ricos do país.

O presidente brasileiro, Luís Inácio Lula da Silva, assumiu a Presidência em 2003 prometendo tirar milhões de seus compatriotas da pobreza. Mas seu tempo no poder tem coincidido com um crescimento sem precedentes no número de ricos. Atualmente, Lula goza de um índice histórico de aprovação de 57% entre os cidadão mais ricos do país.

“Do ponto de vista econômico, Lula não é um esquerdista nem um revolucionário; Lula é um conservador”, disse Lúcia Hippolito, uma conhecida comentarista política. “Ele se sente em casa quando está rodeado de empresários”.

Entretanto, há sinais crescentes de que a crise financeira começa a mostrar sua cara no Brasil. Os preços das commodities caíram apesar do avanço do Real, e em consequência espera-se que uma série de importantes projetos de infra-estrutura sofram atrasos. As classes média e baixa começam a sentir o tranco à medida que o crédito diminui. A MFC estima que o mercado de luxo comece a se retrair em 2009.

Por enquanto, contudo, a crise parece ser uma possibilidade distante em lugares como Jardim Pernambuco, onde o silêncio da tarde é quebrado apenas pelo canto dos pássaros e pelas batidas das bolas de tênis.

“Os banqueiros estão mais felizes do que nunca”, diz Hippolito; “no Brasil há uma piada que diz que Lula é pai dos pobres e mãe dos ricos”.

Bilionários pão-duros (ou excêntricos)?

Monday, November 24th, 2008

A revista Forbes publicou essa semana uma reportagem que, no original, chamou-se Thrifty Billionaires; em português, a melhor tradução seria Bilionários Parcimoniosos (que gastam seu dinheiro com sabedoria), mas seriam também cabíveis, em vista do contexto, títulos como Bilionários pão-duros, bilionários excêntricos, bilionários frugais.

A reportagem procurou fazer um contraponto entre bilionários notoriamente gastadores, como Larry Ellison (que recentemente apareceu nas manchetes por ter entrado numa disputa pelo título de dono do iate mais comprido do mundo), e outros bilionários que, nesse período de crise financeira e contenção de despesas, vêm ganhando destaque por terem sempre vivido de maneira mais discreta e espartana.

O mais conhecido desses bilionários é justamente o maior de todos, Warren Buffett. Buffett, cujo patrimônio supera US$ 50 bilhões, vive na mesma casa que comprou em Omaha em 1958 por US$ 31.500. Ele dirige um modesto Cadillac e, em vez de filés ou lagostas, prefere hambúrgueres e refrigerantes. Certa ocasião, quando um garçon tentou servir-lhe um caríssimo vinho de uma safra especial, Buffett tampou seu copo e afirmou: “prefiro minha parte em dinheiro”.

Mas Buffett não é o único.

Ingvar Kamprad, da Suécia, da família controladora da Ikea (fabricante de móveis e acessórios domésticos) tem patrimônio de US$ 31 bilhões. Dirige um Volvo 1993, voa em classe econômica, frequenta restaurantes populares. Decora sua casa com as linhas mais baratas da própria Ikea. Segundo ele próprio, suas únicas extravagâncias são usar algumas gravatas de alto padrão e ocasionalmente provar algumas ovas de peixes suecos (similares ao caviar, mas mais baratas).

Jim C. Walton, americano, da família controladora da Wal-Mart (maior varejista do mundo, com presença também no Brasil), patrimônio de US$ 23,4 bilhões. Jim herdou seus hábitos frugais do pai, Sam Walton, legendário fundador da WalMart, conhecido por sua obsessão em redução de custos. Jim e sua também bilionária irmã Alice preferem carros simples a esportivos espalhafatosos; atualmente, Jim dirige um Ford Dakota comprado há quinze anos.

Azim Premji, Indiano, Presidente da Wipro (empresa herdada do pai que produzia óleo de cozinha e hoje é uma gigante do setor de serviços tecnológicos), patrimônio de US$ 12,7 bilhões. Recentemente, trocou o Ford Escort que dirigiu por oito anos por um Toyota Corolla; entretanto, mesmo esse carro é pouco usado, já que Azim costuma ir a pé de sua casa até o escritório. Quando viaja até a India, vai em classe econômica e fica em hotéis econômicos. Há alguns anos, no casamento de seu filho Rishad, foram utilizados pratos de papel.

Frederik Meijer, americano, da família controladora da Meijer (cadeia que vende comida e mercadorias), patrimônio de US$ 2,5 bilhões. Pratica frugalidade desde criança; seu pai era um barbeiro, que abriu uma quitanda em 1934, durante a Grande Depressão, para vender produtos a baixo custo. Em 1962, pai e filho abriram a primeira loja da hoje rede Meijer. Frederik compra carros baseado no consumo de combustível e usa as roupas tiradas das prateleiras de suas próprias lojas. Em viagem, fica em hotéis econômicos.

John Caudwell, britânico, patrimônio de US$ 2,3 bilhões.

John Caudwell, o bilionário que corta o próprio cabelo

John Caudwell, o bilionário que corta o próprio cabelo

Ex-mecânico de automóveis, ex-engenheiro da Michelin, Caudwell entrou no mercado de telefonia celular em 1987, fundando o Caudwell Group (85% do qual foi vendido em 2007). Esportista praticante, John pedalava 14 milhas (23 km) para chegar ao trabalho. Corta o próprio cabelo pois, segundo ele, “ir ao barbeiro é uma perda de tempo” (ver foto anexa). Compra suas roupas na Marks&Spencer, uma rede popular britânica. Declara: “eu não preciso gastar dinheiro para elevar minha auto-estima”.

David Cheriton, americano, professor da Universidade de Stanford, patrimônio de US$ 1,6 bilhão. David foi o responsável pela apresentação de Larry Page e Sergei Brin (fundadores da Google) aos capitalistas da Kleiner Perkins Caufield & Byers; David foi recompensado com um grande número de ações da Google, que foram a origem de sua fortuna. Para se locomover, David prefere sua bicicleta, embora também dirija um Honda Accord 1993 e uma Kombi Volkswagen 1986. Mora na mesma casa que comprou em Palo Alto em 1981. Voa em aviões de carreira e corta o próprio cabelo (tem a vantagemde ser quase careca - ver foto).

No Brasil, um bilionário que se tornou conhecido pela frugalidade e simplicidade foi o falecido Amador Aguiar, fundador do Bradesco. Filho de lavradores, foi retirado da escola pelo pai para ajudar na lavoura; por esforço próprio, tornou-se o maior banqueiro do Brasil. Em enquete, foi escolhido um dos brasileiros do século XX. Dirigiu o próprio carro, um fusca, até o final da vida. Sua maior diversão era cortar lenha em uma de suas fazendas.

O divórcio mais caro do mundo em todos os tempos

Friday, November 21st, 2008

De acordo com a wikipedia, o divórcio mais caro de todos os tempos até hoje foi o de Robert Murdoch, grande magnata global do setor de comunicações; Robert, por ocasião do divórcio em 1999, teria deixado à sua ex-esposa Anna um patrimônio de US$ 1,7 bilhão, dos quais US$ 110 milhões em dinheiro e o restante em bens.

Aquele recorde pode estar a ponto de ser batido.

Bernie Ecclestone é o maior empresário no circuito da Fórmula 1. Bernie está por trás de cada uma das corridas, negociando locais, datas e, principalmente, patrocínios e direitos de transmissão. A fortuna de Ecclestone é avaliada em 2,4 bilhões de libras esterlinas, ou o equivalente a 3,5 bilhões de dólares.

Bernie, 78 anos e 1,63 m de altura, está casado desde 1984 com Slavica (hoje com 50 anos), uma ex-modelo de 1,88m nascida na Croácia, com quem teve duas filhas, (na foto abaixo, o casal aparece com uma das filhas, Petra).

divorcio mais caro do mundo

O jornal britânico Daily Telegraph informa que Bernie e Slavica estão se divorciando.

Alguns detalhes (além da fortuna dos Ecclestone) fazem supor que esse será o divórcio mais caro do mundo: primeiro, a maior parte da fortuna está depositada em fundos fora da Inglaterra (segundo rumores, forma encontrada pelos Ecclestone para pagar menos impostos); e, segundo, o dinheiro está em nome de Slavica.

Isso significa que Bernie é que terá que brigar para passar parte do patrimônio para seu nome. E, com bons advogados, e mantendo a guarda das duas filhas, Slavica provavelmente ficará com mais da metade do dinheiro, ou seja, aproximadamente US$ 2 bilhões.

Imposto sobre Grandes Fortunas

Wednesday, November 19th, 2008

No início do ano, o PT havia incluído no texto da Reforma Tributária uma emenda propondo que o Imposto sobre Grandes Fortunas fosse substituído por uma Contribuição sobre Grandes Fortunas; a mídia divulgou recentemente que o relator da Reforma Tributária excluiu do texto a tal Contribuição sobre Grandes Fortunas.

Mas o que é uma “Grande Fortuna”?

Na proposta original do PT, seria considerada Grande Fortuna qualquer patrimônio líquido que excedesse a oito mil vezes o limite mensal de isenção de imposto de renda para pessoas físicas; esse valor foi de R$ 1.372,81 em 2008 e será de R$ 1.434,59 em 2009.

Isso significa que, para os padrões brasileiros, patrimônios acima de R$ 11.476.720 são considerados grandes fortunas.

E como seria a tributação?

Pela proposta do PT, patrimônios entre oito mil e 25.000 vezes a faixa de isenção seriam taxados com uma alíquota de 0,5% ao ano, patrimônios entre 25.000 e 75.000 vezes pagariam alíquota de 0,75% e patrimônios maiores pagariam 1% ao ano.

Isso significa que, se a proposta fosse aprovada, apenas patrimônios superiores a R$ 107.594.250 seriam obrigados a pagar 1% (ou pouco mais de R$ 1 milhão) ao ano na forma de tributos.

Isso é muito ou pouco?

Em outros países, embora não exista um tributo com o nome de imposto sobre grandes fortunas, existem Impostos sobre Heranças e Impostos sobre Doações. O imposto sobre heranças é cobrado basicamente sobre grandes fortunas construídas ao longo da vida; a diferença entre esse modelo e o modelo pensado no Brasil é que a tributação ocorre apenas no final da vida, e não ao longo dela. O imposto sobre Doações é uma maneira de evitar que os ricos escapem do imposto sobre a herança fazendo doações antes de morrer.

Na Inglaterra, o imposto sobre heranças começa a ser cobrado sobre valores acima de £ 312.000 (ou pouco mais de R$ 1 milhão), e já começa em uma alíquota de 40%. Nos Estados Unidos, o imposto equivalente é conhecido justamente por estate tax, ou Imposto sobre o Patrimônio; a tributação começa a incidir sobre valores acima de US$ 10.000, com alíquota de 18%, e é crescente; para valores acima de US$ 1.000.000, a alíquota começa em 12,5%, mais 41% do que exceder o US$ 1.000.000; para valores acima de US$ 2.000.000, a alíquota marginal é de 55%.

O interessante é que no Brasil já existe previsão para cobrança de impostos sobre herança e doação (artigo 155 da Constituição Federal); cabe a cada Estado regulamentar o imposto, mas nem todos o fazem.

Se houvesse mais habilidade e vontade política, seria possível fazer com que os verdadeiramente ricos pagassem de fato mais impostos.

Daslu

Tuesday, November 18th, 2008

Quando se fala no mercado brasileiro de luxo, a primeira marca que vem à cabeça é a Daslu.

A Daslu foi fundada em 1958 pelas sócias Lúcia Piva de Albuquerque e Lourdes Aranha; como ambas eram conhecidas por Lu, a loja foi batizada de Daslu (”das Lu”). Desde a fundação, a Daslu procurava destacar-se no mercado brasileiro de moda, apurando detalhes que mais tarde pavimentariam o caminho para o sucesso: qualidade, bom gosto e atendimento personalizado.

Atualização, dezembro de 2008: nessa entrevista de Eliana Tranchesi à Gazeta Mercantil, ela declarou: “Tem compradora do tempo da minha mãe que vem hoje aqui com a bisneta! Isso é fidelidade. Minha mãe começou vendendo conjuntos de cashmere com saia igual. Aí começou aquele tempo em que o Rio fazia a moda. Era preciso ir buscar lá as marcas boas nacionais. E a cliente gostava da seleção que a Daslu fazia. Mesmo quando começaram os estilistas paulistas, a cliente Daslu apostava no nosso olho, na sensibilidade da nossa escolha. Até hoje, esse é o sucesso do nosso mix.”

No final da década de 70, Eliana Piva de Albuquerque Tranchesi, filha de Lúcia, assumiu o comando da Daslu. No início da década de 90, Eliana deu início à estratégia de formar parcerias com marcas de prestígio internacional; a primeira parceria foi com a Maison Chanel.

Logo em seguida, chegaram também a Christian Dior, Dolce & Gabbana, Prada e Gucci (por vários anos, a Daslu foi revendedora exclusiva dessas marcas no Brasil). Depois, foi a vez do mercado masculino; sob a bandeira da Daslu Homem, começaram a ser vendidos produtos da Ermenegildo Zegna, Salvatore Ferragamo e outros.

Nesse novo milênio, a Daslu teve crescimento explosivo, juntamente com o mercado de luxo no Brasil. Em 2005, a Daslu mudou-se para uma nova loja, a Villa Daslu, um prédio em estilo neoclássico com quase 60.000 metros quadrados de área construída; a nova loja ganhou comentários elogiosos no New York Times. Nessa mesma época, a dona da Daslu foi presa, acusada de cometer crimes fiscais; o episódio, entretanto, não afetou o nome e o crescimento da marca.

No Villa Daslu, a empresa continua com uma boutique própria, a Daslu, e, além das parcerias que já tinha, houve a chegada de diversas outras marcas, como Goyard, Pucci e Tom Ford, entre várias outras; segundo recente informe, a Villa Daslu abriga cerca de  110 grifes internacionais e 90 marcas nacionais, além dos espaços destinados para as diversas marca Daslu - Daslu Feminino, Daslu Couture, Daslu Homem, Daslu Boys and Girls, Daslu Kids, Daslu Bebe e Daslu Casa.

O mapa abaixo mostra a localização da Daslu (o marcador vermelho), em meio a outros importantes centros de comércio de luxo em São Paulo:


Exibir mapa ampliado

Em 2008, buscando ampliar seu mercado, a Daslu inaugurou sua primeira filial em shopping centers, no Shopping Cidade Jardim, ocupando um espaço de 2.400 metros quadrados; nessa loja, há predominância de produtos com a etiqueta da própria Daslu, enquanto na Villa há maior presença das importadas.

A Daslu continua a crescer, e há boatos de futuras expansões; segundo reportagem recente, o faturamento da Daslu em 2008 pode chegar a R$ 320 milhões, o maior da História.

Por enquanto, a Daslu não tem rivais no mercado de marcas de luxo no Brasil.

Warren Buffett

Friday, November 14th, 2008

Nos meses recentes, enquanto a crise financeira cresceu, diversos investidores reduziram suas exposições em ações e migraram para outras aplicações, como títulos. Uma exceção foi a Berkshire Hathaway, controlada pelo bilionário Warren Buffett.

Entre outros investimentos, a Berkshire comprou US$ 3 bilhões de ações da General Electric e US$ 5 bilhões do banco Goldman Sachs; Buffett acredita que a crise baixou demasiadamente o valor das ações dessas companhias, e decidiu aproveitar a barganha.

Warren Buffett

Warren Buffett

Além disso, talvez levada por motivos sentimentais (leia mais adiante a biografia de Buffett), a Berkshire emprestou US$ 6,5 bilhões para que a Mars adquirisse a Wrigley (tanto uma como outra são gigantes mundiais do setor de doces e chocolates).

Foi essa estratégia que levou a Berkshire a tornar-se sócia de alguns dos principais ícones da indústria americana, como a Coca-Cola e a Gillette. Buffett sente-se confortável negociando ações da economia real; segundo ele, “os americanos jamais deixarão de se barbear, de ter sua casa, suas roupas”. Buffett investe em ações de companhias que certamente sobreviverão às crises.

Pelo motivo inverso, tecnologia não é com ele (apesar de sua amizade íntima com Bill Gates). O investidor não caiu na euforia da internet, na década passada, e fugiu das ações da “nova economia”. As empresas da internet eram algo novo demais e arriscado demais, na avaliação de Buffett. Quando a bolha da internet explodiu, em 2000, o investidor, que chegou a ser ridicularizado por ser “ultrapassado”, acabou rindo por último. A Berkshire Hathaway saiu mais fortalecida do que nunca.

Buffett, hoje com 78 anos, ingressou no mundo dos negócios ainda criança. Segundo a biografia autorizada The Snowball: Warren Buffett and the Business of Life, escrita por Alice Schroeder e lançada nos Estados Unidos no final de setembro de 2008 (lançado no Brasil em dezembro de 2008: A Bola de Neve - Warren Buffett e o Negócio da Vida), Buffett começou sua fortuna aos 6 anos de idade.

O pequeno Warren comprava pacotes de bala e chicletes na loja de seu avô e em vez de devorá-los, revendia-os pelas ruas. As marcas de doce prediletas do garoto eram Juicy Fruit e Spearmint, produzidas justamente pela centenária fábrica Wrigley, cuja compra foi financiada por Buffett recentemente.

O apreço pelo mundo das finanças também veio cedo. Seu pai trabalhava em um banco e seus tios tinham uma corretora de ações. Ainda criança, Buffett tentava identificar um padrão observando a oscilação do preço das ações no quadro pendurado no escritório de seus tios. Na adolescência, começou a ler manuais de como ganhar dinheiro na bolsa.

Mas o livro que transformou definitivamente sua vida foi The Intelligent Investor, do investidor e professor da Universidade Colúmbia Benjamin Graham, lançado em 1949. Ali, pela primeira vez, Buffett vislumbrou um método coerente de ganhar dinheiro com ações. A leitura o estimulou a ir estudar em Colúmbia, onde foi admitido em 1950. Lá, teve aulas com o próprio Graham e David Dodd, outro grande investidor daquele período.

Buffett chegou a trabalhar em Nova York com seus mestres, mas seu sucesso veio mesmo quando retornou para a sua cidade natal, Omaha, no estado americano de Nebraska, onde vive até hoje – e com uma rotina para lá de simples para o homem mais rico do mundo.

Frasista inspirado, Buffett é o autor de tiradas que fazem parte do anedotário da crise atual. Alguns anos atrás, quando o mundo ainda vendia euforia, soltou ele: “Só saberemos quem está sem roupas quando a maré baixar”. Touché.

Em 2003, Buffett, em carta aos acionistas, alertou para o risco do crescimento de investimentos em derivativos (instrumentos financeiros destinados a dissipar riscos, mas que foram usados de maneira imprópria e alavancaram a bolha que acaba de estourar). “Uma grande quantidade de risco foi concentrada nas mãos de relativamente poucos vendedores de contratos de derivativos, o que pode desencadear graves problemas sistêmicos”, afirmou. E sentenciou: “Derivativos são armas financeiras de destruição em massa”. Touché mais uma vez, e mais uma vez o investidor saiu maior de uma crise do que quando entrou nela.

Remar contra a maré em pleno tsunami não é para qualquer um. Os poucos que o fazem – com a competência de Buffett, é claro – são sobejamente recompensados.

O brasileiro mais rico de todos os tempos: Barão de Mauá

Saturday, November 8th, 2008

Esse post é sobre o brasileiro mais rico e empreendedor de todos os tempos, assim como sobre o livro que relata sua biografia.

Em 2008, a lista de bilionários brasileiros abrangia menos de vinte nomes, entre pessoas e famílias; no topo da lista estava a família Ermírio de Moraes, com fortuna estimada em US$ 10 bilhões.

Esse valor astronômico torna-se pequeno perto do patrimônio amealhado por Irineu Evangelista de Sousa, o barão de Mauá.

Em 1867, Mauá fez um levantamento de todo o seu patrimônio (espalhado por diversos empreendimentos) e chegou ao total de 115 mil contos de réis. Esse valor era superior ao orçamento do Império daquele ano, que chegou a 97 mil contos. Convertido para libras esterlinas, o patrimônio chegava a 12 milhões de libras, o que era comparável ao total dos ativos do Banco da Inglaterra, de 43 milhões de libras. E convertido para dólares, o patrimônio equivalia a US$ 60 milhões, comparável à herança deixada por Cornelius Vanderbilt, de US$ 100 milhões (Vanderbilt ficou rico graças a seus negócios com estradas de ferro, nos quais houve, sabidamente, favorecimentos políticos; Mauá fez sua fortuna apesar dos contratempos políticos).

Falo primeiro do livro, Mauá - Empresário do Império, de autoria de Jorge Caldeira, ISBN 978-85-7164-436-6. Trata-se, em minha opinião, da melhor biografia escrita em língua portuguesa.

Jorge Caldeira foi jornalista e editor econômico de veículos como Folha de São Paulo e Exame. Em 1986, revirando os baús da vovó, deparou-se com uma edição de Exposição aos Credores, de autoria do próprio Mauá, na qual explica suas venturas e desventuras empresariais. Caldeira apaixonou-se por Mauá e, percebendo que não poderia ao mesmo tempo escrever sobre ele e manter um emprego, abandonou este.

Por anos, Caldeira pesquisou sobre a vida de Mauá. Gastou todas suas economias; foi salvo da falência pelo próprio pai; e afinal conseguiu um patrocínio para terminar a obra (o mecenas foi Cândido Bracher e seu banco BBA). Esse périplo é completamente diferente das biografias de autores profissionais, como, por exemplo, Fernando Morais ou Ruy Castro; esses pesquisam apenas o mínimo suficiente para criar um produto comercializável (com apoio pesado, claro, da mídia e patrocinadores), e por isso conseguem produzir rapidamente biografias de figuras tão díspares como Olga Prestes, Paulo Coelho e Casimiro Montenegro (sim, eu li todas).

E o esforço de Caldeira transparece no livro. Para narrar a vida de Mauá, Caldeira fez pesquisas sobre toda a vida econômica e política do segundo Império. Há explicações detalhadas sobre as causas da ascensão e queda de Mauá, situadas no contexto da evolução política e econômica do Brasil. Caldeira não diz apenas o quê ocorreu, mas por quê ocorreu. Confira o preço do livro sobre a biografia do Barão de Mauá.

Falando agora sobre o Barão: Irineu nasceu pobre, em Arroio Grande, na fronteira do Rio Grande do Sul, que seu pai fora desbravar. Órfão aos cinco anos, foi enviado pela mãe para trabalhar num armazém do Rio de Janeiro. Além de alfabetizar-se sozinho, Irineu aprendeu contabilidade e inglês por conta própria; logo, era braço direito de Richard Carruthers, inglês, então um dos mais prósperos comerciantes ingleses no Brasil. Carruthers retornou à Europa e deixou Mauá como seu sócio e preposto; logo Mauá era o maior comerciante do Brasil.

Mauá percebeu que havia fonte de riqueza maior que o comércio: o capital. Mauá desfez-se do comércio e comprou o controle do Banco do Brasil, que havia decretado falência; Mauá reergueu o Banco e, atuando no mercado de câmbio, tornou-se o maior capitalista do Brasil.

Após viagem à Inglaterra, onde a Revolução Industrial estava florescendo, Mauá percebeu que o Brasil poderia seguir o mesmo caminho, e começou a direcionar capital para atividades industriais. Mauá investiu em diversos setores, como metalurgia, construção de navios, estradas de ferro, iluminação a gás, transportes aquáticos, etc. Em todos os setores, empregando técnicas inovadoras de gestão e tecnologia, Mauá obteve sucesso comercial e financeiro.

Isso explica a fortuna de Mauá: ele foi pioneiro em diversos setores de infra-estrutura no Brasil, como bancos, siderurgia, energia, transportes. Mauá fez sozinho o que nos Estados Unidos foi feito por por pessoas diferentes, todas as quais se tornaram bilionárias: JP Morgan (bancos), Carnegie (siderurgia), Rockfeller (petróleo) e Vanderbilt (transportes). Se fossem americanos, os Evangelistas de Sousa seriam provavelmente a família mais rica do mundo hoje.

Entretanto, eles eram brasileiros. Mauá foi reconhecido em vida como empresário e político (recebeu os títulos de Barão e Visconde, além de ter sido eleito Deputado); não apenas conviveu com o Imperador D. Pedro II, mas colaborou com o Império em eventos históricos relevantes, como a Guerra do Paraguai e extinção do tráfico.

Caldeira explica no livro como a aversão ao empreendedorismo, as motivações políticas, a falta de democracia provocaram a queda de Mauá. Mauá faleceu em 1889, pouco antes da Proclamação da República; não estava pobre, mas seu patrimônio estava distante do que antes fora. O Barão, que foi honesto toda a sua vida, orgulhava-se de ter recebido carta de quitação oficial, que comprovava que havia pago todas as suas dívidas.

Confira o preço do livro sobre a biografia do Barão de Mauá.

O carro mais caro do mundo

Friday, November 7th, 2008

Qual o carro mais caro do mundo?

A pergunta tem várias respostas, todas corretas, dependendo do critério adotado.

Em setembro de 2008, um modelo da Ferrari 250 GTO foi vendido pela quantia de € 20 milhões (vinte milhões de euros,

Ferrai 250 GTO

Ferrari 250 GTO

ou quase US$ 30 milhões, ou mais de R$ 60 milhões), o que o tornou o carro mais caro já vendido. A venda, contudo, se deu em leilão, onde o que conta é primordialmente o valor afetivo do bem, e não o valor de mercado; o fato de que esse modelo de Ferrari teve apenas 39 unidades produzidas, todas entre 1962 e 1964, e ser considerado um dos mais belos já produzidos pela fábrica italiana, certamente contribuiu para que um desconhecido milionário inglês desembolsasse aquele valor astronômico pelo carro (a foto ao lado mostra um 250 GTO, que faz parte, segundo a wikipedia, da coleção de outro milionário, Ralph Laren).

Antes dessa venda, o carro mais caro tinha sido também vendido em leilão, e era também uma Ferrari (uma 1961 California Spyder, vendida por uns US$ 11 milhões); e se investigarmos os recordes anteriores, é provável que encontremos outras Ferrais e outros leilões. E se desconsiderarmos então os carros vendidos em leilão, qual o modelo mais caro? Ainda assim, a resposta é um pouco controversa.

Em 2005, a Maybach, divisão de carros de ultra-luxo da já luxuosa Mercedes-Benz, construiu, sob encomenda da fabricante alemã de pneus de alto desempenho Fulda, um carro luxuoso, mistura de limusine com esportivo com carro conceito, batizado de Maybach Exelero. O Exelero tem motor V12 de 700 cavalos, atinge 351 km/h e acelera de 0 a 100 km/h em 4.4 segundos.

Após o carro estar pronto, o presidente da Fulda pagou o custo de seu desenvolvimento, no valor de US$ 8 milhões, e tornou-se seu proprietário. Isso faz do Exelero o carro mais caro já vendido pelo próprio fabricante.

Mas houve apenas UM Exelero, e ele foi projetado em condições atípicas; não havia, de fato, um mercado a determinar o preço do Exelro. Qual, então, o carro de linha, que pode ser comprado no mercado (mercado reduzido, certamente), de valor mais alto?

Hoje, novembro de 2008, a resposta é: o Aston Martin One-77. O lançamento do carro foi anunciado pela Aston Martin (para quem não se lembra, essa é a marca favorita do James Bond) em outubro de 2008, a um preço de £ 1.2 milhão (um milhão e duzentas mil libras esterlinas, ou aproximadamente US$ 2 milhões, ou pouco mais de R$ 4 milhões).

Aston Martin One-88

Aston Martin One-77

Apenas 77 unidades serão produzidas, e a Aston Martin informa que já tem cem pretendentes. Para se candidatar, é necessário pagar um depósito de 200 mil libras, ou US$ 340 mil.

O mais caro (e melhor ?) chocolate do mundo

Saturday, November 1st, 2008

É difícil apontar qual o melhor chocolate do mundo, já que isso depende do gosto e paladar de cada pessoa; entretanto, como preço é um fator objetivo e não subjetivo, pode-se tentar encontrar um produto que ostente o título de o chocolate mais caro do mundo.

Até o início do ano, o chocolate mais caro do mundo era uma Madeleine produzida pela empresa Knipschildt Chocolatier (que também detém a marca Chocopologie); a empresa foi fundada pelo dinamarquês Fritz Knipschildt, que começou produzindo chocolates em seu próprio quarto e graças a seu paladar tornou-se um dos maiores chocolatiers (especialista em chocolates) do mundo.

A Madeleine é essa mostrada na foto ao lado. Pesa 42 gramas e custa US$ 250. A pasta básica é feita com chocolate francês de Valrhona, a melhor do mundo; a pasta é misturada com um creme de leite e chocolate que passa 24 horas recebendo infusão de grãos de baunilha e algumas gotas de óleo de trufas italiano. A pasta é moldada ao redor de uma trufa Perigord (as trufas mais caras do mundo), e o conjunto é recoberto com pó de cacau.

Mas mais importante do que os ingredientes, é a forma de preparo que valoriza o chocolate. Knipschildt trabalha as madeleines uma a uma; a pasta e o creme são longamente remexidos, para garantir a maciez do chocolate; para moldar a trufa, Knipschildt leva o conjunto para uma sala refrigerada, de modo a manter a textura do chocolate. “É um processo demorado e delicado. Quando você compreende quanto trabalho isso toma, você percebe que o chocolate vale cada centavo”, afirma Knipschildt.

Recentemente surgiu um concorrente para esse bombom; a Harrods, de Londres, colocou à venda em julho uma caixa de chocolates que custa £ 5000, ou aproximadamente US$ 7300 ao câmbio de hoje (no início do ano, a conversão chegou próxima a US$ 10000). A caixa vem com 49 chocolates, o que dá um valor aproximado de US$ 150 por chocolate.

O chocolate é produzido pela empresa libanesa Patchi, utilizando-se, evidentemente, ingredientes refinados. Entretanto, diferentemente da Madeleine de Knipschildt, parece que no caso da Patchi o que realmente encarece o produto é a embalagem: a caixa é feita em couro e seda trabalhados a mão, e no interior os chocolates são separados por adornos em ouro e platina; além disso, cada caixa traz uma mensagem individualizada insculpida na tampa. Infelizmente, não há imagens do chocolate disponíveis.

No Brasil, país com longa tradição na produção de doces, existem excelentes marcas de chocolate de alto padrão: a Chocolat du Jour, com quatro lojas em São Paulo, e a Kopenhagen, com lojas em shopping centers de diversas cidades.