Archive for the 'Objetos de Luxo' Category

Lojas de luxo se expandem no Brasil

Tuesday, September 30th, 2008

Reportagem da revista Veja trata do crescimento do segmento de lojas de luxo no Brasil. Abaixo, transcrição do texto, com comentários.

O laranja intenso das embalagens da grife francesa Hermès (não confundir com hermes.com.br, uma empresa brasileira que vende produtos populares) costuma provocar taquicardia nos aficionados de moda. Um tapume na cor laranja anuncia que, no início de 2009, a Hermès, marca conhecida por seus produtos caros (e pelas embalagens na cor laranja) e à prova de crises econômicas abrirá sua primeira loja no Brasil, no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo.

Sala vip da nova loja Louis Vuitton

Sala vip da nova loja Louis Vuitton

E a Hermès não será a única loja de luxo naquele shopping. Perto dali, os emblemáticos dois cês em interseção anunciam uma loja da Maison Chanel na cidade, o segundo da marca em São Paulo, que será inaugurado em novembro de 2008. No Iguatemi, templo do luxo paulistano, a nova loja da italiana Gucci ocupará 470 metros quadrados, tomando umespaço hoje ocupado pela popular Lojas Americanas.

Não é coincidência a chegada de tantas grifes estrangeiras ao país. Segundo levantamento da Merrill Lynch, no fim de 2007 havia no Brasil 143 mil pessoas com patrimônio financeiro (ou seja, apenas dinheiro, sem contar com imóveis e outros bens) acima de 1 milhão de dólares; esse número é superior ao de outros países com economias em crescimento, como Rússia (136 000) e Índia (123 000). A isso se soma o comportamento do consumidor brasileiro: atento aos lançamentos e familiarizado com os mecanismos da moda, ele chega às lojas com a referência exata do último desfile. E a novidade é a alma do negócio das grifes. Por isso o país se tornou endereço obrigatório das principais marcas de luxo internacionais.

Em 2007, abriram lojas por aqui as bolsas da italiana Furla e da francesa Longchamp.

bolsa Longchamp

bolsa Longchamp

Também vieram os ternos sob medida da americana Tom Ford e as cobiçadas coleções da espanhola Balenciaga; essas duas últimas grifes ganharam um dentro da Daslu, que também abrigará a Emilio Pucci (italiana), conhecida pelas estampas originais, e a Goyard (francesa), a marca de acessórios favorita entre os milionários mais discretos.

“As nossas clientes brasileiras acompanham os desfiles de Paris pela imprensa e logo procuram as lojas para fazer suas encomendas”, diz Frédéric Morelle, presidente da Louis Vuitton para a América Latina. Em outros países emergentes, como China e Rússia, há também dinheiro e ostentação, mas falta informação sobre moda (resquício dos tempos de comunismo).

Não é por acaso que as vendas da Vuitton do Brasil (que inaugurou sua quarta loja em São Paulo neste ano - em Moscou há apenas duas lojas), crescem quatro vezes mais do que a média mundial. O produto mais procurado pelas consumidoras brasileiras atualmente é a bolsa Neverfull, com preço ao redor de US$ 650 (ao câmbio de hoje, aproximadamente R$ 1.770). Os três relógios Emprise que vieram para São Paulo, a R$ 36.800 cada um, voaram da prateleira em dez dias.

Curioso é que os itens básicos da Luis Vuitton não têm a mesma receptividade. E isso

Jeans Diesel

Jeans Diesel

ocorre também com as calças da Diesel: os jeans básicos de US$ 150 nem chegam por aqui, enquanto os modelos de US$ 1.100 (R$ 2 000), da edição limitada Diesel Denim Gallery, se esgotam rapidamente.

“Os brasileiros conhecem o luxo e investem em arte; por isso queremos criar raízes aqui”, afirma Bertrand Stalla-Bourdillon, executivo da grife Marc Jacobs, uma das marcas mais desejadas e copiadas do planeta, cuja primeira loja em São Paulo será inaugurada em dezembro de 2008.

Curiosamente, quem responderá pela operação comercial da Marca Jacobs no Brasil será Natalie Klein, filha de Michael Klein, dono das Casas Bahia, a maior rede de lojas populares do país. A mesma Natalie inaugurará, neste mês de setembro, espaços das grifes Stella McCartney e Missoni em sua loja, a NK Store.

Natalie diz não ter medo de se arriscar, mesmo sabendo que os produtos vendidos aqui custam quase o dobro, por causa taxas de importação. “Hoje nosso maior concorrente é o avião”, diz ela.

Relogio Emprise, Louis Vuitton

Relogio Emprise, Louis Vuitton

É aí que entra em ação, como diferencial, outra especialidade do segmento de luxo no Brasil: a cultura de oferecer serviços e agrados, como salas vips, copeiras, manobristas e vendedoras dispostas a ouvir problemas afetivos.

O jeito brasileiro de fazer negócios leva vantagem também por outro fator: a possibilidade de parcelamento das compras. Mesmo quem pode pagar à vista prefere dividir, o que as lojas fazem prontamente. “Com isso, abrimos nosso leque de clientes”, diz Rosangela Lyra, diretora-geral da Dior no Brasil.

Em 2007, a indústria do luxo faturou 5 bilhões de dólares no país, segundo dados da MCF Consultoria. Segundo a empresa, esse valor é 17% maior que em 2006. E, para 2008, a tendência é ainda de crescimento.

Lançamento do iPhone será na Daslu

Monday, September 29th, 2008

Nos Estados Unidos, o iPhone é um aparelho de consumo de massas; recentemente, a Apple anunciou a venda de 5 milhões de iPhones 3G em apenas um trimestre (atualização: em um mês, foram vendidos mais dois milhões de iPhones).

Aqui no Brasil, o iPhone parece que será considerado produto para poucos.

Em São Paulo, a Claro apresentou o iPhone na Daslu, templo do consumo de marcas de luxo; ver fotos do iPhone na Daslu e reportagem sobre famosos querendo ganhar um iPhone; no Rio de Janeiro, a Vivo promoveu um evento no Jockey Club.

Evidentemente, o aparelho será vendido em outros locais, mas por enquanto está difícil encontrar um iPhone nas lojas; e, para quem encontra, os preços são altos, tanto para o aparelho como para os planos de voz e dados (como mostra a tabela ao lado, os preços e tarifas no Brasil só perdem, na América do Sul, para a Venezuela).

As operadoras alegam que os preços no Brasil são mais altos por causa dos impostos.

Mas é provável que parte do sobrepreço derive do efeito luxo-riqueza: nos Estados Unidos, um iPhone não distingue ninguém, e a concorrência força os preços para baixo; no Brasil, em que tanto a venda de aparelhos de última geração como a prestação de serviços de telefonia 3G são mercados oligopolísticos, um aparelho de alta tecnologia (e objeto de markeing intensivo) passa a ser símbolo de riqueza, o que leva os consumidores a pagarem um alto prêmio para ostentarem um iPhone.

Marcas de Luxo na Internet

Thursday, September 4th, 2008

Um dos principais fatores associados a empresas e lojas que vendem produtos de alto luxo é o chamado “atendimento pessoal e diferenciado”. Nesse setor, as lojas são decoradas com esmero, os funcionários (levemente esnobes) são criteriosamente selecionados (a gerente do Daslu é filha de um ex-Governador), e os potenciais compradores são paparicados

Notebook de Ouro

Notebook de Ouro

com atendentimento individual, sala vip, horário agendado, aperitivos e canapés, e tudo o mais que possa dar a eles a sensação de que não são clientes comuns.

Mas os tempos estão mudando; mesmo os milionários são atraídos pelas comodidades da internet: poupar tempo de escolha e economizar dinheiro na compra.

Reportagem do Wall Street Journal informa que mais e mais os ricos estão comprando produtos de luxo pela internet. A reportagem baseia-se em uma pesquisa conduzida pela Google e pela Unity Marketing (duas empresas, saliente-se, altamente interessadas no crescimento do comércio pela internet), a qual concluiu que 95% das pessoas com renda acima de US$ 1 milhão por ano fizeram sua última compra de produtos de luxo utilizando a internet; em média, cada um dos entrevistados gastou um montante de US$ 114.632 por ano em compras de produtos de luxo pela internet.

Para esses compradores, comprar um Patek Philippe ou um Louis Vuitton online não desvaloriza a marca. Aproximadamente 94% dos compradores entrevistados afirmaram que não vêem rebaixamento da marca por terem comprado pela internet, e 91% afirmaram que gostariam de ver outros de seus produtos de luxo favoritos disponibilizados online.

“Essas pessoas têm mais dinheiro do que tempo livre”, declara um dos dirigentes da Unity Marketing; “algumas vezes, é melhor fazer compras através do computador do que deslocar-se até as lojas”.

O crescimento desse segmento é confirmado por outra pesquisa feita pela Bain & Co. (firma de consultoria de vendas), que concluiu que as vendas de bens de luxo pela internet cresceram 65% em 2007, em comparação com 2006; do total global de vendas, 65% foram feitas para clientes americanos.

Isso significa que a H Stern vai adotar os métodos (e preços) do Atacado Biju? Certamente não. Mas provavelmente significa que, além de ourives e vendedores multilíngues, a HStern provavelmente estará contratando alguns bons webdesigners e programadores no futuro.

Marca de relógio mais exclusiva - e cara - do mundo

Wednesday, August 20th, 2008

Qual a marca de relógio de luxo preferida pelos realmente ricos? Rolex? Cartier?

Em 2006, o Luxury Institute, instituto com sede em Nova York que realiza pesquisas sobre os hábitos dos consumidores mais ricos dos Estados Unidos, conduziu um estudo para aferir qual marca de relógio de pulso gozava de maior prestígio entre os milionários (apenas pessoas com patrimônio superior a US$ 5 milhões foram entrevistadas).

A Cartier ficou na 13ª posição; a Rolex ficou em 10º; em quinto, ficou a Breguet. A marca de maior prestígio foi a suíça Franck Muller.

Franck Muller Aeternitas

Franck Muller Aeternitas

Não fique surpreso se você não conhecer a Franck Muller. Muito pouca gente a conhece. Mesmo nos Estados Unidos, são vendidos aproximadamente 4.500 relógios por ano.

Os relógios são encontrados apenas em butiques exclusivas. E as vendas são feitas apenas por indicação. “Poderíamos vender muito mais”, afirmou o Presidente da empresa nos Estados Unidos; “mas não é de nosso interesse massificar nossos produtos”.

O Franck Muller mais barato, feito de quartzo e aço inoxidável, custa US$ 4.800. Os modelos mais caros custam por volta de US$ 600 mil.

Em 2006, a empresa prroduziu em série especial e limitada o relógio Aeternitas, com um calendário permanente e cronômetro de frações de segundos. Ele indicará os dias da semana, datas, meses e fases da lua pelos próximos mil anos (incluindo, claro, os anos bissextos). Preço: US$ 736 mil.

Quer mostrar que é mesmo rico? Esqueça Rolex, Piaget, Patek Philippe. Consiga um Franck Muller.