Archive for the 'Pessoas' Category

Marc Jacobs em São Paulo

Tuesday, March 24th, 2009

O estilista Marc Jacobs, diretor de criação da Louis Vuitton, esteve recentemente em São Paulo.

O roteiro de Jacobs incluiu uma visita à sua loja, aberta esse ano na rua Haddock Lobo, na área do luxo de São Paulo; a noite viu uma movimentada festa promovida pela anfitriã Natalie Klein (parceira comercial de Jacobs) no Largo do Arouche, tradicional reduto gay noturno de São Paulo; no evento, Jacobs confirmou o noivado com seu companheiro brasileiro, Lorenzo Martone.

E Jacobs tem muitos motivos para comemorar. Além dos amigos e do noivado, parece que os negócios de Jacobs, apesar da crise, estão indo muito bem. Em 2008, a marca teve o maior lucro desde sua criação, em 1993; para esse ano, estão mantidos os planos de abertura de novas lojas Marc Jacobs em Milão e Londres, além da expansão da linha de produtos para incluir cosméticos e maquiagens.

E para comemorar a boa fase emocional e comercial, Jacobs está de casa nova: segundo o site The Real Stalker, Jacobs e Martone estariam adquirindo um novo luxuoso apartamento no West Village, em Nova York, a um custo de US$ 13 milhões.

Mais ricos do mundo - 2009

Thursday, March 12th, 2009

A revista Forbes divulgou ontem a lista dos bilionários do mundo em 2009; a Forbes é uma revista focada no mundo e modo de vida de milionários, e sua lista de pessoas ricas é a que mais tem credibilidade no mundo.

A lista desse ano reflete os efeitos da crise financeira mundial. Existem hoje 793 bilionários, contra 1.125 o ano passado. O patrimônio total dos bilionários diminuiu em US$ 1.4 trilhão.

Bill Gates voltou a ser o homem mais rico do mundo, agora com patrimônio de US$ 40 bilhões (perda de US$ 18 bilhões em um ano); em segundo, Warren Buffet, que era o mais rico do mundo no ano passado, com US$ 37 bilhões (queda de US$ 25 bilhões); em terceiro, o mexicano Carlos Slim Helu, com US$ 35 bilhões (queda de US$ 25 bilhões).

E no Brasil?

O brasileiro mais rico é Eike Batista, com patrimônio de US$ 7,5 bilhões. O Brasil tem um total de treze bilionários em dólar, conforme tabela abaixo.

Ano passado, havia treze bilionários no Brasil, conforme informado nesse post; a tabela é reproduzida abaixo:

Evidentemente, houve alterações. As alterações que mais chamam a atenção são a brutal queda do patrimônio da família Ermírio de Moraes, que passou de US$ 10 bilhões em 2008 (então a maior fortuna do Brasil) para “apenas” US$ 2,8 bilhões em 2009,  e a subida de posição de Eike Batista, que mesmo nesses tempos de crise conseguiu aumentar seu patrimônio em quase US$ 1 bilhão.

Coco Chanel

Sunday, January 18th, 2009

Coco Chanel foi uma das mulheres mais importantes na História da alta costura; ela foi a única pessoa do ramo de moda, homem ou mulher, a ser eleita pela revista Time uma das 100 pessoas mais importantes do século 20 (na rubrica Artistas e Entretenimento).

Seu nome era Gabrielle Bonheur Chanel (bonheur é a palavra francesa para “Felicidade”); nasceu em 1883 e faleceu em 1971.

Sua presença no mundo da moda foi tão forte que deixa traços até hoje. Fãs fazem como que uma peregrinação ao apartamento onde Chanel viveu em Paris, o qual foi preservado da forma como ela o deixou; costumes da estilista, como o estilo monocolorido e a atração por pérolas e pulseiras tamanho grande, são permanentemente relembrados e retomados; como a própria Chanel disse: “a moda passa, mas o estilo fica para sempre”.

Coco marcou presença por suas criações e também por suas opiniões. Para ela, as mulheres deveriam vestir-se com beleza, elegância e - principalmente - conforto, e não usar o vestuário como forma de exibição. Ela e seus quatro irmãos ficaram órfãos de mãe quando ela tinha seis anos, e foram abandonados pelo pai logo em seguida; entre outras ocupações, Chanel foi cantora em cafés (quando adotou o apelido Coco) e serviu como enfermeira durante a Primeira Guerra Mundial.

Abriu sua primeira loja em 1910; seus influentes casos amorosos ajudaram na conquista de clientes entre as altas sociedades francesa e inglesa. Coco nunca se casaria, embora tivesse relacionamentos com pessoas ilustres como Igor Stravinsky e o Duque de Westminster (então o homem mais rico da Europa).

Desde 1983, os produtos da Chanel têm sido desenhados por Karl Lagerfeld. O estúdio de Lagerfeld fica na mesma casa em que Coco trabalhava, que foi adquirida pela Chanel em 1920; o primeiro piso da casa abriga uma loja da marca, e no segundo piso trabalham cem costureiras de alta costura, produzindo peças exclusivamente à mão.

Em 1922, Chanel lançou seu primeiro perfume, o Chanel 5, que se tornaria o mais famoso da marca, sendo até hoje um dos perfumes mais vendidos do mundo.

Matarazzo

Monday, January 5th, 2009

Os Matarazzo foram a família brasileira mais rica do século 20, quando seu nome tornou-se sinônimo de Riqueza; hoje, entretanto, não há nenhum Matarazzo na lista dos bilionários brasileiros.

Veja também: por que os relógios Rolex têm tanto prestígio? quais os bilionários mais excêntricos do mundo? onde comprar bolsas da Louis Vuitton?

Francesco Antonio Maria Matarazzo nasceu em Salerno, sul da Itália, em 1854; chegou ao Brasil em 1881, onde aportuguesou o nome para Francisco; no mesmo ano, abriu em Sorocaba seu primeiro negócio, uma empresa de produção e venda de banha de porco.

Em 1890 muda-se para a capital, onde funda a Companhia Matarazzo S.A., que importava trigo dos Estados Unidos. Em 1900, substitui a importação por um moinho, que seria base para o início de um império industrial, abragendo produtos de consumo como trigo, tecelagem, alimentos, etc. e serviços, como o Banco Francês e Italiano.

Em 1917, em reconhecimento pelos recursos que enviou à Itália durante a Primeira Guerra (Francisco era um dos italianos mais ricos do mundo), recebeu, do então rei italiano Vítor Manuel III, o título de Conde. Francesco Matarazzo faleceu em 1937, e o comando dos negócios passou para Francesco Matarazzo Filho (Chiquinho Matarazzo), o segundo mais novo de seus treze filhos.

Na década de 1950, as Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo eram o maior grupo industrial da América Latina, comparável ao império construído no século anterior pelo Barão de Mauá; o emblema do grupo (imagem ao lado) falava em Fides-Honor-Labor, ou seja, Fidelidade, Honra e Trabalho. Leia essa reportagem da revista Época publicada em 1999 sobre o Império da Família Matarazzo.

No final do século 20, o aumento da concorrência comercial e as brigas familiares internas causaram a decadência do grupo; em 2007, foi alienado um casarão da avenida Paulista, que constituía o último bem patrimonial do grupo Matarazzo.

Isso não significa, evidentemente, que os Matarazzo tenham ficado pobres. Provavelmente os mais conhecidos membros da família são o Senador Eduardo Matarazzo Suplicy (Matarazzo por parte de mãe e Suplicy por parte de pai) e seu filho Eduardo “Supla” Suplicy (Marta Suplicy, ex-esposa do Senador, agregou o sobrenome Suplicy, mas não o Matarazzo).

Outro que tem algum destaque popular é André Matarazzo (nascido 1919, falecido 1964), neto do Conde e tio do Senador, que foi casado com a cantora Maysa; o casal teve um filho, o diretor de cinema e televisão Jayme Monjardim (atualização: a revista Veja 2096, de 21 de janeiro de 2009, publicou uma entrevista com Jayme Monjardim, na qual ele fala, entre outros assuntos, da sua relação com os pais; colocarei um link para a entrevista, assim que a revista torná-la disponível para não assinantes).

Veja também: o hotel mais luxuoso do Brasil; o carro mais caro do mundo; melhores perfumes; as pessoas mais ricas do Brasil.

Perdas bilionárias

Wednesday, December 31st, 2008

O que você diria se visse seu patrimônio diminuir US$ 30 bilhões em nove meses?

Foi isso o que aconteceu com o empresário indiano Anil Ambani, controlador do grupo Reliance, que tem forte participação em diversos setores de infra-estrutura na India, como comunicações, energia, etc. Em março de 2008, a fortuna de Ambani era avaliada em US$ 42 bilhões; nesse final de ano, de acordo com esse artigo sobre perdas dos bilionários, o valor encontra-se em “apenas” US 12 bilhões.

Segundo o artigo, mais de 300 pessoas perderam mais de US$ 1 bilhão com a crise. Na India, um grupo de apenas quatro pessoas (Anil, seu irmão Mukesh, o magnata do aço Lakshmi Mittal e o barão de terras K.P. Singh) perdeu um total de US$ 100 bilhões. Outro país fortemente afetado foi a Rússia, que depende fortemente dos preços do petróleo; Oleg Deripaska, o mais rico dos russos, viu seu patrimônio diminuir de US$ 28 bilhões para US$ 10 bilhões.

E esse fenômeno ocorreu também no Brasil, conforme descreve essa recente reportagem da revista Exame. Dos 39 novos bilionários que surgiram no Brasil nos últimos quatro anos, 34 perderam o status com a recente crise (ou seja, viram seu patrimônio reduzir-se a menos de R$ 1 bilhão).

O caso mais notório foi o de José Auriemo, controlador da construtora JHSF, focada na construção de imóveis comerciais e residenciais de alto padrão, como o recente complexo Cidade Jardim; Auriemo viu seu patrimônio diminuir 90%, caindo de R$ 2,2 bilhões para R$ 220 milhões.

Assim como lá fora, a maioria das grandes perdas bilionárias no Brasil foi decorrência da queda das bolsas de valores; bilionários tradicionais, brasileiros e estrangeiros, parecem ter sido menos afetados.

Bilionários pão-duros (ou excêntricos)?

Monday, November 24th, 2008

A revista Forbes publicou essa semana uma reportagem que, no original, chamou-se Thrifty Billionaires; em português, a melhor tradução seria Bilionários Parcimoniosos (que gastam seu dinheiro com sabedoria), mas seriam também cabíveis, em vista do contexto, títulos como Bilionários pão-duros, bilionários excêntricos, bilionários frugais.

A reportagem procurou fazer um contraponto entre bilionários notoriamente gastadores, como Larry Ellison (que recentemente apareceu nas manchetes por ter entrado numa disputa pelo título de dono do iate mais comprido do mundo), e outros bilionários que, nesse período de crise financeira e contenção de despesas, vêm ganhando destaque por terem sempre vivido de maneira mais discreta e espartana.

O mais conhecido desses bilionários é justamente o maior de todos, Warren Buffett. Buffett, cujo patrimônio supera US$ 50 bilhões, vive na mesma casa que comprou em Omaha em 1958 por US$ 31.500. Ele dirige um modesto Cadillac e, em vez de filés ou lagostas, prefere hambúrgueres e refrigerantes. Certa ocasião, quando um garçon tentou servir-lhe um caríssimo vinho de uma safra especial, Buffett tampou seu copo e afirmou: “prefiro minha parte em dinheiro”.

Mas Buffett não é o único.

Ingvar Kamprad, da Suécia, da família controladora da Ikea (fabricante de móveis e acessórios domésticos) tem patrimônio de US$ 31 bilhões. Dirige um Volvo 1993, voa em classe econômica, frequenta restaurantes populares. Decora sua casa com as linhas mais baratas da própria Ikea. Segundo ele próprio, suas únicas extravagâncias são usar algumas gravatas de alto padrão e ocasionalmente provar algumas ovas de peixes suecos (similares ao caviar, mas mais baratas).

Jim C. Walton, americano, da família controladora da Wal-Mart (maior varejista do mundo, com presença também no Brasil), patrimônio de US$ 23,4 bilhões. Jim herdou seus hábitos frugais do pai, Sam Walton, legendário fundador da WalMart, conhecido por sua obsessão em redução de custos. Jim e sua também bilionária irmã Alice preferem carros simples a esportivos espalhafatosos; atualmente, Jim dirige um Ford Dakota comprado há quinze anos.

Azim Premji, Indiano, Presidente da Wipro (empresa herdada do pai que produzia óleo de cozinha e hoje é uma gigante do setor de serviços tecnológicos), patrimônio de US$ 12,7 bilhões. Recentemente, trocou o Ford Escort que dirigiu por oito anos por um Toyota Corolla; entretanto, mesmo esse carro é pouco usado, já que Azim costuma ir a pé de sua casa até o escritório. Quando viaja até a India, vai em classe econômica e fica em hotéis econômicos. Há alguns anos, no casamento de seu filho Rishad, foram utilizados pratos de papel.

Frederik Meijer, americano, da família controladora da Meijer (cadeia que vende comida e mercadorias), patrimônio de US$ 2,5 bilhões. Pratica frugalidade desde criança; seu pai era um barbeiro, que abriu uma quitanda em 1934, durante a Grande Depressão, para vender produtos a baixo custo. Em 1962, pai e filho abriram a primeira loja da hoje rede Meijer. Frederik compra carros baseado no consumo de combustível e usa as roupas tiradas das prateleiras de suas próprias lojas. Em viagem, fica em hotéis econômicos.

John Caudwell, britânico, patrimônio de US$ 2,3 bilhões.

John Caudwell, o bilionário que corta o próprio cabelo

John Caudwell, o bilionário que corta o próprio cabelo

Ex-mecânico de automóveis, ex-engenheiro da Michelin, Caudwell entrou no mercado de telefonia celular em 1987, fundando o Caudwell Group (85% do qual foi vendido em 2007). Esportista praticante, John pedalava 14 milhas (23 km) para chegar ao trabalho. Corta o próprio cabelo pois, segundo ele, “ir ao barbeiro é uma perda de tempo” (ver foto anexa). Compra suas roupas na Marks&Spencer, uma rede popular britânica. Declara: “eu não preciso gastar dinheiro para elevar minha auto-estima”.

David Cheriton, americano, professor da Universidade de Stanford, patrimônio de US$ 1,6 bilhão. David foi o responsável pela apresentação de Larry Page e Sergei Brin (fundadores da Google) aos capitalistas da Kleiner Perkins Caufield & Byers; David foi recompensado com um grande número de ações da Google, que foram a origem de sua fortuna. Para se locomover, David prefere sua bicicleta, embora também dirija um Honda Accord 1993 e uma Kombi Volkswagen 1986. Mora na mesma casa que comprou em Palo Alto em 1981. Voa em aviões de carreira e corta o próprio cabelo (tem a vantagemde ser quase careca - ver foto).

No Brasil, um bilionário que se tornou conhecido pela frugalidade e simplicidade foi o falecido Amador Aguiar, fundador do Bradesco. Filho de lavradores, foi retirado da escola pelo pai para ajudar na lavoura; por esforço próprio, tornou-se o maior banqueiro do Brasil. Em enquete, foi escolhido um dos brasileiros do século XX. Dirigiu o próprio carro, um fusca, até o final da vida. Sua maior diversão era cortar lenha em uma de suas fazendas.

O divórcio mais caro do mundo em todos os tempos

Friday, November 21st, 2008

De acordo com a wikipedia, o divórcio mais caro de todos os tempos até hoje foi o de Robert Murdoch, grande magnata global do setor de comunicações; Robert, por ocasião do divórcio em 1999, teria deixado à sua ex-esposa Anna um patrimônio de US$ 1,7 bilhão, dos quais US$ 110 milhões em dinheiro e o restante em bens.

Aquele recorde pode estar a ponto de ser batido.

Bernie Ecclestone é o maior empresário no circuito da Fórmula 1. Bernie está por trás de cada uma das corridas, negociando locais, datas e, principalmente, patrocínios e direitos de transmissão. A fortuna de Ecclestone é avaliada em 2,4 bilhões de libras esterlinas, ou o equivalente a 3,5 bilhões de dólares.

Bernie, 78 anos e 1,63 m de altura, está casado desde 1984 com Slavica (hoje com 50 anos), uma ex-modelo de 1,88m nascida na Croácia, com quem teve duas filhas, (na foto abaixo, o casal aparece com uma das filhas, Petra).

divorcio mais caro do mundo

O jornal britânico Daily Telegraph informa que Bernie e Slavica estão se divorciando.

Alguns detalhes (além da fortuna dos Ecclestone) fazem supor que esse será o divórcio mais caro do mundo: primeiro, a maior parte da fortuna está depositada em fundos fora da Inglaterra (segundo rumores, forma encontrada pelos Ecclestone para pagar menos impostos); e, segundo, o dinheiro está em nome de Slavica.

Isso significa que Bernie é que terá que brigar para passar parte do patrimônio para seu nome. E, com bons advogados, e mantendo a guarda das duas filhas, Slavica provavelmente ficará com mais da metade do dinheiro, ou seja, aproximadamente US$ 2 bilhões.

Warren Buffett

Friday, November 14th, 2008

Nos meses recentes, enquanto a crise financeira cresceu, diversos investidores reduziram suas exposições em ações e migraram para outras aplicações, como títulos. Uma exceção foi a Berkshire Hathaway, controlada pelo bilionário Warren Buffett.

Entre outros investimentos, a Berkshire comprou US$ 3 bilhões de ações da General Electric e US$ 5 bilhões do banco Goldman Sachs; Buffett acredita que a crise baixou demasiadamente o valor das ações dessas companhias, e decidiu aproveitar a barganha.

Warren Buffett

Warren Buffett

Além disso, talvez levada por motivos sentimentais (leia mais adiante a biografia de Buffett), a Berkshire emprestou US$ 6,5 bilhões para que a Mars adquirisse a Wrigley (tanto uma como outra são gigantes mundiais do setor de doces e chocolates).

Foi essa estratégia que levou a Berkshire a tornar-se sócia de alguns dos principais ícones da indústria americana, como a Coca-Cola e a Gillette. Buffett sente-se confortável negociando ações da economia real; segundo ele, “os americanos jamais deixarão de se barbear, de ter sua casa, suas roupas”. Buffett investe em ações de companhias que certamente sobreviverão às crises.

Pelo motivo inverso, tecnologia não é com ele (apesar de sua amizade íntima com Bill Gates). O investidor não caiu na euforia da internet, na década passada, e fugiu das ações da “nova economia”. As empresas da internet eram algo novo demais e arriscado demais, na avaliação de Buffett. Quando a bolha da internet explodiu, em 2000, o investidor, que chegou a ser ridicularizado por ser “ultrapassado”, acabou rindo por último. A Berkshire Hathaway saiu mais fortalecida do que nunca.

Buffett, hoje com 78 anos, ingressou no mundo dos negócios ainda criança. Segundo a biografia autorizada The Snowball: Warren Buffett and the Business of Life, escrita por Alice Schroeder e lançada nos Estados Unidos no final de setembro de 2008 (lançado no Brasil em dezembro de 2008: A Bola de Neve - Warren Buffett e o Negócio da Vida), Buffett começou sua fortuna aos 6 anos de idade.

O pequeno Warren comprava pacotes de bala e chicletes na loja de seu avô e em vez de devorá-los, revendia-os pelas ruas. As marcas de doce prediletas do garoto eram Juicy Fruit e Spearmint, produzidas justamente pela centenária fábrica Wrigley, cuja compra foi financiada por Buffett recentemente.

O apreço pelo mundo das finanças também veio cedo. Seu pai trabalhava em um banco e seus tios tinham uma corretora de ações. Ainda criança, Buffett tentava identificar um padrão observando a oscilação do preço das ações no quadro pendurado no escritório de seus tios. Na adolescência, começou a ler manuais de como ganhar dinheiro na bolsa.

Mas o livro que transformou definitivamente sua vida foi The Intelligent Investor, do investidor e professor da Universidade Colúmbia Benjamin Graham, lançado em 1949. Ali, pela primeira vez, Buffett vislumbrou um método coerente de ganhar dinheiro com ações. A leitura o estimulou a ir estudar em Colúmbia, onde foi admitido em 1950. Lá, teve aulas com o próprio Graham e David Dodd, outro grande investidor daquele período.

Buffett chegou a trabalhar em Nova York com seus mestres, mas seu sucesso veio mesmo quando retornou para a sua cidade natal, Omaha, no estado americano de Nebraska, onde vive até hoje – e com uma rotina para lá de simples para o homem mais rico do mundo.

Frasista inspirado, Buffett é o autor de tiradas que fazem parte do anedotário da crise atual. Alguns anos atrás, quando o mundo ainda vendia euforia, soltou ele: “Só saberemos quem está sem roupas quando a maré baixar”. Touché.

Em 2003, Buffett, em carta aos acionistas, alertou para o risco do crescimento de investimentos em derivativos (instrumentos financeiros destinados a dissipar riscos, mas que foram usados de maneira imprópria e alavancaram a bolha que acaba de estourar). “Uma grande quantidade de risco foi concentrada nas mãos de relativamente poucos vendedores de contratos de derivativos, o que pode desencadear graves problemas sistêmicos”, afirmou. E sentenciou: “Derivativos são armas financeiras de destruição em massa”. Touché mais uma vez, e mais uma vez o investidor saiu maior de uma crise do que quando entrou nela.

Remar contra a maré em pleno tsunami não é para qualquer um. Os poucos que o fazem – com a competência de Buffett, é claro – são sobejamente recompensados.

O brasileiro mais rico de todos os tempos: Barão de Mauá

Saturday, November 8th, 2008

Esse post é sobre o brasileiro mais rico e empreendedor de todos os tempos, assim como sobre o livro que relata sua biografia.

Em 2008, a lista de bilionários brasileiros abrangia menos de vinte nomes, entre pessoas e famílias; no topo da lista estava a família Ermírio de Moraes, com fortuna estimada em US$ 10 bilhões.

Esse valor astronômico torna-se pequeno perto do patrimônio amealhado por Irineu Evangelista de Sousa, o barão de Mauá.

Em 1867, Mauá fez um levantamento de todo o seu patrimônio (espalhado por diversos empreendimentos) e chegou ao total de 115 mil contos de réis. Esse valor era superior ao orçamento do Império daquele ano, que chegou a 97 mil contos. Convertido para libras esterlinas, o patrimônio chegava a 12 milhões de libras, o que era comparável ao total dos ativos do Banco da Inglaterra, de 43 milhões de libras. E convertido para dólares, o patrimônio equivalia a US$ 60 milhões, comparável à herança deixada por Cornelius Vanderbilt, de US$ 100 milhões (Vanderbilt ficou rico graças a seus negócios com estradas de ferro, nos quais houve, sabidamente, favorecimentos políticos; Mauá fez sua fortuna apesar dos contratempos políticos).

Falo primeiro do livro, Mauá - Empresário do Império, de autoria de Jorge Caldeira, ISBN 978-85-7164-436-6. Trata-se, em minha opinião, da melhor biografia escrita em língua portuguesa.

Jorge Caldeira foi jornalista e editor econômico de veículos como Folha de São Paulo e Exame. Em 1986, revirando os baús da vovó, deparou-se com uma edição de Exposição aos Credores, de autoria do próprio Mauá, na qual explica suas venturas e desventuras empresariais. Caldeira apaixonou-se por Mauá e, percebendo que não poderia ao mesmo tempo escrever sobre ele e manter um emprego, abandonou este.

Por anos, Caldeira pesquisou sobre a vida de Mauá. Gastou todas suas economias; foi salvo da falência pelo próprio pai; e afinal conseguiu um patrocínio para terminar a obra (o mecenas foi Cândido Bracher e seu banco BBA). Esse périplo é completamente diferente das biografias de autores profissionais, como, por exemplo, Fernando Morais ou Ruy Castro; esses pesquisam apenas o mínimo suficiente para criar um produto comercializável (com apoio pesado, claro, da mídia e patrocinadores), e por isso conseguem produzir rapidamente biografias de figuras tão díspares como Olga Prestes, Paulo Coelho e Casimiro Montenegro (sim, eu li todas).

E o esforço de Caldeira transparece no livro. Para narrar a vida de Mauá, Caldeira fez pesquisas sobre toda a vida econômica e política do segundo Império. Há explicações detalhadas sobre as causas da ascensão e queda de Mauá, situadas no contexto da evolução política e econômica do Brasil. Caldeira não diz apenas o quê ocorreu, mas por quê ocorreu. Confira o preço do livro sobre a biografia do Barão de Mauá.

Falando agora sobre o Barão: Irineu nasceu pobre, em Arroio Grande, na fronteira do Rio Grande do Sul, que seu pai fora desbravar. Órfão aos cinco anos, foi enviado pela mãe para trabalhar num armazém do Rio de Janeiro. Além de alfabetizar-se sozinho, Irineu aprendeu contabilidade e inglês por conta própria; logo, era braço direito de Richard Carruthers, inglês, então um dos mais prósperos comerciantes ingleses no Brasil. Carruthers retornou à Europa e deixou Mauá como seu sócio e preposto; logo Mauá era o maior comerciante do Brasil.

Mauá percebeu que havia fonte de riqueza maior que o comércio: o capital. Mauá desfez-se do comércio e comprou o controle do Banco do Brasil, que havia decretado falência; Mauá reergueu o Banco e, atuando no mercado de câmbio, tornou-se o maior capitalista do Brasil.

Após viagem à Inglaterra, onde a Revolução Industrial estava florescendo, Mauá percebeu que o Brasil poderia seguir o mesmo caminho, e começou a direcionar capital para atividades industriais. Mauá investiu em diversos setores, como metalurgia, construção de navios, estradas de ferro, iluminação a gás, transportes aquáticos, etc. Em todos os setores, empregando técnicas inovadoras de gestão e tecnologia, Mauá obteve sucesso comercial e financeiro.

Isso explica a fortuna de Mauá: ele foi pioneiro em diversos setores de infra-estrutura no Brasil, como bancos, siderurgia, energia, transportes. Mauá fez sozinho o que nos Estados Unidos foi feito por por pessoas diferentes, todas as quais se tornaram bilionárias: JP Morgan (bancos), Carnegie (siderurgia), Rockfeller (petróleo) e Vanderbilt (transportes). Se fossem americanos, os Evangelistas de Sousa seriam provavelmente a família mais rica do mundo hoje.

Entretanto, eles eram brasileiros. Mauá foi reconhecido em vida como empresário e político (recebeu os títulos de Barão e Visconde, além de ter sido eleito Deputado); não apenas conviveu com o Imperador D. Pedro II, mas colaborou com o Império em eventos históricos relevantes, como a Guerra do Paraguai e extinção do tráfico.

Caldeira explica no livro como a aversão ao empreendedorismo, as motivações políticas, a falta de democracia provocaram a queda de Mauá. Mauá faleceu em 1889, pouco antes da Proclamação da República; não estava pobre, mas seu patrimônio estava distante do que antes fora. O Barão, que foi honesto toda a sua vida, orgulhava-se de ter recebido carta de quitação oficial, que comprovava que havia pago todas as suas dívidas.

Confira o preço do livro sobre a biografia do Barão de Mauá.

Bilionários do Brasil

Tuesday, October 28th, 2008

Quem é de fato muito rico no Brasil? Sílvio Santos? Ronaldinho?

Atualização: ver também lista dos bilionários do Brasil em 2009.

A revista Forbes publica anualmente uma relação com todos os bilionários do mundo; a lista informa nome, nacionalidade, idade, patrimônio e país de residência de todas as pessoas que possuem patrimônio líquido de no mínimo US$ 1 bilhão (um bilhão de dólares).

A última lista foi publicada em março de 2008. Abaixo, imagem com os nomes dos brasileiros bilionários:

Pela ordem, os brasileiros bilionários são:

Antônio Ermírio de Moraes e família. É a pessoa mais rica do Brasil, e 77ª no mundo, com patrimônio de US$ 10 bilhões. Antônio Ermírio e família são controladores do Grupo Votorantim (maior empresa fechada privada do Brasil), que começou atuando no ramo de cimento, mas hoje atua também em metais, papel e celulose, finanças e tecnologia.

Joseph Safra. Banqueiro. Em 2006, Joseph comprou de seu irmão Moise (também milionário) a participação que este tinha no Banco Safra, um dos maiores do Brasil, e nos Bancos Safra de Nova York e de Luxemburgo. Havia ainda outro irmão, Edmond Safra, também bilionário, que faleceu em 1999; a viúva de Edmond, Lily Safra, é também bilionária. A fortuna dos Safra, somada, supera a dos Ermírio de Moraes.

Eike Batista. Empresário, controlador da EBX, holding que atua em vários ramos de infra-estrutura, como a MMX (minérios), OGX (petróleo), LLX (logística) e outras. Embora tenha se auto-proclamado o homem mais rico do Brasil, Eike (também conhecido como o ex-marido de Luma de Oliveira) foi um dos que mais perdeu dinheiro com a atual crise financeira.

Dorothea Steinbruch e família. Viúva de Mendel Steinbruch, fundador do grupo Vicunha (produtos têxteis). Foi com dinheiro de Dorothea que seu filho, Benjamin Steinbruch, adquiriu a Companhia Siderúrgica Nacional, em 1993. Embora Benjamin seja o principal executivo, o controle da CSN pertence a Dorothea e aos herdeiros de seu irmão Elizer, também milionário.

Jorge Paulo Lemann. Banqueiro e cervejeiro. Fundador do Banco Garantia, que foi vendido posteriormente para o Credit Suisse (dois dos sócios de Lemann no Garantia, Marcell Herrmann Telles e Carlos Alberto Sucupira, aparecem também nessa lista de bilionários; ver a história de sucesso de Lemann, Telles e Sucupira). Com o dinheiro da venda do Garantia, Lemann adquiriu o controle da Brahma, que posteriormente tornou-se AmBev, que posteriormente tornou-se InBev, que atualmente é parte da Anheuser-Bush Inbev, a maior empresa do setor de cervejas do mundo. Lemann é também principal acionista do grupo B2B, empresa de comércio eletrônico que controla a Americanas.com e a Submarino.com.

Eliezer Steinbruch e família. Irmão de Dorothea Steinbruch (ver acima). Também controlava a Vicunha e a CSN. Eliezer faleceu em junho de 2008.

Aloysio de Andrade Faria. Banqueiro, formado em Medicina. Herdou do pai o Banco Real. Ficou bilionário ao vender o Real para o grupo holandês ABN Amro (que posteriormente foi adquirido pelo grupo espanhol Santander). Atualmente, é dono de outros negócios, como o Hotel Transamérica (um dos mais caros e requintados de São Paulo) e a sorveteria LaBasque.

Moise Safra. Banqueiro. Fez fortuna com o Banco Safra, cuja participação vendeu ao irmão Joseph. Moise tem boa parte das ações da Aracruz.

Marcel Herrmann Telles. Banqueiro e cervejeiro. Sócio nas empreitadas de Jorge Paulo Lemann. Fortuna estimada: US$ 2.5 bilhões.

Carlos Alberto Sucupira. Banqueiro e cervejeiro. Sócio nas empreitadas de Jorge Paulo Lemann. Fortuna estimada: US$ 2.3 bilhões (parece que ele é um pouco mais gastador que Marcel Telles).

Elie Horn, o misterioso bilionário da construção civil. Fundador da Cyrela, construtora especializada em imóveis de luxo em São Paulo.

Abilio dos Santos Diniz. Controlador do Grupo Pão de Açúcar, que viu surgir, afundar e ressurgir. Foi sequestrado em 1998. Graças ao dinheiro do Pão de Açúcar, o filho de Abilio, Pedro Paulo Diniz, conseguiu correr em uma equipe de Fórmula 1 e conquistar o título de pior piloto brasileiro na categoria em todos os tempos.

Julio Bozano. Banqueiro. Um dos fundadores do Banco Bozano Simonsen. O banco foi vendido ao grupo espanhol Santander em 2000, e desde então Julio tem estado fora da mídia.

Jayme Garfinkel. Empresário. Fundador e controlador da seguradora Porto Seguro.

Guilherme Peirão Leal. Um dos fundadores e principal executivo da Natura (cosméticos).

Rubens Ometto Silveira Mello. Controlador da Cosan, uma das maiores produtoras de açúcar e etanol do mundo. Com fortuna estimada em US$ 1 bilhão, Ometto é o último dos bilionários brasileiros em 2008.

A lista deve ter grandes novidades em 2009, por causa da desvalorização da moeda, que reduzirá o valor dos patrimônios em real quando convertidos para o dólar, e por causa da crise econômica, que reduzirá o valor acionário e o faturamento de diversas empresas.

Atualização: ver também lista dos bilionários do Brasil em 2009.