Moscou, capital dos bilionários



August 23rd, 2008

Atualização, 18 de setembro de 2008. A reportagem abaixo está desatualizada. Ela foi publicada na revista Veja de 6 de agosto de 2008. Em 15 de setembro de 2008, o banco americano Lehman Brothers faliu, demarcando o início da maior e mais abrupta crise financeira desde 1929.

O post abaixo fica como uma registro de como era a fartura econômica em países emergentes antes da crise.

Em nenhum outro lugar do mundo a palavra novo-rico faz tanto sentido quanto na capital da Rússia, Moscou. Segundo a Forbes, a cidade tem a maior concentração de bilionários do planeta; são 74, contra 71 em Nova York (ver lista dos bilionários, publicada pela Forbes em 2008; nessa reportagem, na qual a Veja parece ter se baseado, a Forbes confirma que Moscou é a cidade com mais bilionários no mundo).

A maioria dos 103 mil milionários russos, cuja fortuna total é avaliada em 670 bilhões de dólares, vive na capital. Tanto dinheiro se traduz na exuberância do comércio de luxo. As lojas da Gucci, da Dolce & Gabbana e da Chanel em Moscou estão entre as três maiores em volume de vendas de suas cadeias internacionais. A Brioni, grife italiana de roupas masculinas cujos ternos custam 5 000 dólares, tem na cidade sua principal loja (ironicamente, a Brioni era a marca que vestia James Bond, um dos grandes inimigos dos russos).

Os ricaços moscovitas gostam de exibir o seu novo estilo de vida: a cidade é uma das seis do mundo que abrigam a Feira do Milionário, um evento anual de luxo. Na edição do ano passado, foram vendidos, em apenas quatro dias, 750 milhões de dólares em apartamentos no emirado de Dubai, iates, celulares incrustados de diamantes e outros bens. Quando viajam para o exterior, os russos também fazem questão do melhor que o dinheiro pode comprar; eles são os turistas que mais gastam com hospedagem: em média, 227 dólares por dia.

Moscou aparece, pelo terceiro ano consecutivo, como a cidade mais cara do mundo. O estudo, elaborado pela consultoria americana Mercer, leva em conta o preço de 200 itens em 143 cidades, incluindo alimentação, transporte, vestuário e habitação. Os preços em Moscou são em média doze por cento mais altos que os de Tóquio, no Japão, a segunda colocada.

Em Moscou, os estabelecimentos comerciais vazios dos tempos do comunismo foram substituídos por ornamentadas lojas de grifes estrangeiras. A vida noturna é agitada e há refinadas e caras opções de restaurantes. O dinamismo econômico e a taxa de desemprego inferior a 2% atraem para a capital da Rússia novos moradores, que aumentam a população de 13 milhões de habitantes; isso elevou a demanda por moradia e fez dobrar o preço dos imóveis nos últimos três anos - o caro aluguel residencial em Moscou só é superado pelo de Hong Kong. O rublo valorizou-se em relação ao dólar, encarecendo ainda mais o custo de vida dos moscovitas. O cafezinho sai por 10 dólares, em média.

A exuberância da capital é um retrato do crescimento econômico do país, o maior produtor mundial de gás natural e o segundo maior de petróleo (nota do blog: foi justamente essa dependência que fez da Rússia um dos países mais afetados pela crise, à medida que os preços de gás e óleo despencaram). Sob o comando do presidente Vladimir Putin, que deixou recentemente o cargo, e impulsionada pela alta no preço de gás e petróleo, a Rússia cresceu em média 7% nos últimos oito anos. A economia já apresenta sinais de superaquecimento – a inflação chegou a 12% em 2007 –, mas deve continuar crescendo mais de 6% ao ano até 2010. Estima-se que, até lá, o orçamento da prefeitura de Moscou ultrapasse o de Nova York. Desde 2003, o salário médio dos russos cresceu 30% ao ano.

É surpreendente lembrar que há apenas duas décadas a maioria dos moscovitas morava em kommunalkas, apartamentos comunitários divididos por duas ou mais famílias. Nos mercados, filas enormes disputavam os poucos produtos disponíveis. Viva o capitalismo.

2 Responses to “Moscou, capital dos bilionários”

  1. Vida de Rico » Blog Archive » Adu Dhabi - a cidade mais rica do mundo Says:

    [...] Se o critério for renda média per capita, a resposta é Zurique, na Suíça, onde cada morador ganha em média 40% do que os moradores de Nova York (para comparação, os paulistas, os mais bem pagos do Brasil, ganham apenas 36%  dos nova-yorkinos). Se o critério for o produto bruto, as cidades mais ricas são, pela ordem, Tokio e Nova York, as duas únicas a terem (dados referentes a 2005), produto superiores a US$ 1 trilhão, ou seja, mais do que o PIB do Brasil. E se for número de bilionários, a resposta é Moscou. [...]

  2. Vida de Rico | bitpop Says:

    [...] encontra-se também fatos inusitados. Por exemplo, uma das coisas que me surpreenderam foi que a cidade com com mais bilionários do mundo, é, pasmem, a capital daquele país que pregava o comunismo e que todos são [...]

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