O brasileiro mais rico de todos os tempos: Barão de Mauá



November 8th, 2008

Esse post é sobre o brasileiro mais rico e empreendedor de todos os tempos, assim como sobre o livro que relata sua biografia.

Em 2008, a lista de bilionários brasileiros abrangia menos de vinte nomes, entre pessoas e famílias; no topo da lista estava a família Ermírio de Moraes, com fortuna estimada em US$ 10 bilhões.

Esse valor astronômico torna-se pequeno perto do patrimônio amealhado por Irineu Evangelista de Sousa, o barão de Mauá.

Em 1867, Mauá fez um levantamento de todo o seu patrimônio (espalhado por diversos empreendimentos) e chegou ao total de 115 mil contos de réis. Esse valor era superior ao orçamento do Império daquele ano, que chegou a 97 mil contos. Convertido para libras esterlinas, o patrimônio chegava a 12 milhões de libras, o que era comparável ao total dos ativos do Banco da Inglaterra, de 43 milhões de libras. E convertido para dólares, o patrimônio equivalia a US$ 60 milhões, comparável à herança deixada por Cornelius Vanderbilt, de US$ 100 milhões (Vanderbilt ficou rico graças a seus negócios com estradas de ferro, nos quais houve, sabidamente, favorecimentos políticos; Mauá fez sua fortuna apesar dos contratempos políticos).

Falo primeiro do livro, Mauá - Empresário do Império, de autoria de Jorge Caldeira, ISBN 978-85-7164-436-6. Trata-se, em minha opinião, da melhor biografia escrita em língua portuguesa.

Jorge Caldeira foi jornalista e editor econômico de veículos como Folha de São Paulo e Exame. Em 1986, revirando os baús da vovó, deparou-se com uma edição de Exposição aos Credores, de autoria do próprio Mauá, na qual explica suas venturas e desventuras empresariais. Caldeira apaixonou-se por Mauá e, percebendo que não poderia ao mesmo tempo escrever sobre ele e manter um emprego, abandonou este.

Por anos, Caldeira pesquisou sobre a vida de Mauá. Gastou todas suas economias; foi salvo da falência pelo próprio pai; e afinal conseguiu um patrocínio para terminar a obra (o mecenas foi Cândido Bracher e seu banco BBA). Esse périplo é completamente diferente das biografias de autores profissionais, como, por exemplo, Fernando Morais ou Ruy Castro; esses pesquisam apenas o mínimo suficiente para criar um produto comercializável (com apoio pesado, claro, da mídia e patrocinadores), e por isso conseguem produzir rapidamente biografias de figuras tão díspares como Olga Prestes, Paulo Coelho e Casimiro Montenegro (sim, eu li todas).

E o esforço de Caldeira transparece no livro. Para narrar a vida de Mauá, Caldeira fez pesquisas sobre toda a vida econômica e política do segundo Império. Há explicações detalhadas sobre as causas da ascensão e queda de Mauá, situadas no contexto da evolução política e econômica do Brasil. Caldeira não diz apenas o quê ocorreu, mas por quê ocorreu. Confira o preço do livro sobre a biografia do Barão de Mauá.

Falando agora sobre o Barão: Irineu nasceu pobre, em Arroio Grande, na fronteira do Rio Grande do Sul, que seu pai fora desbravar. Órfão aos cinco anos, foi enviado pela mãe para trabalhar num armazém do Rio de Janeiro. Além de alfabetizar-se sozinho, Irineu aprendeu contabilidade e inglês por conta própria; logo, era braço direito de Richard Carruthers, inglês, então um dos mais prósperos comerciantes ingleses no Brasil. Carruthers retornou à Europa e deixou Mauá como seu sócio e preposto; logo Mauá era o maior comerciante do Brasil.

Mauá percebeu que havia fonte de riqueza maior que o comércio: o capital. Mauá desfez-se do comércio e comprou o controle do Banco do Brasil, que havia decretado falência; Mauá reergueu o Banco e, atuando no mercado de câmbio, tornou-se o maior capitalista do Brasil.

Após viagem à Inglaterra, onde a Revolução Industrial estava florescendo, Mauá percebeu que o Brasil poderia seguir o mesmo caminho, e começou a direcionar capital para atividades industriais. Mauá investiu em diversos setores, como metalurgia, construção de navios, estradas de ferro, iluminação a gás, transportes aquáticos, etc. Em todos os setores, empregando técnicas inovadoras de gestão e tecnologia, Mauá obteve sucesso comercial e financeiro.

Isso explica a fortuna de Mauá: ele foi pioneiro em diversos setores de infra-estrutura no Brasil, como bancos, siderurgia, energia, transportes. Mauá fez sozinho o que nos Estados Unidos foi feito por por pessoas diferentes, todas as quais se tornaram bilionárias: JP Morgan (bancos), Carnegie (siderurgia), Rockfeller (petróleo) e Vanderbilt (transportes). Se fossem americanos, os Evangelistas de Sousa seriam provavelmente a família mais rica do mundo hoje.

Entretanto, eles eram brasileiros. Mauá foi reconhecido em vida como empresário e político (recebeu os títulos de Barão e Visconde, além de ter sido eleito Deputado); não apenas conviveu com o Imperador D. Pedro II, mas colaborou com o Império em eventos históricos relevantes, como a Guerra do Paraguai e extinção do tráfico.

Caldeira explica no livro como a aversão ao empreendedorismo, as motivações políticas, a falta de democracia provocaram a queda de Mauá. Mauá faleceu em 1889, pouco antes da Proclamação da República; não estava pobre, mas seu patrimônio estava distante do que antes fora. O Barão, que foi honesto toda a sua vida, orgulhava-se de ter recebido carta de quitação oficial, que comprovava que havia pago todas as suas dívidas.

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2 Responses to “O brasileiro mais rico de todos os tempos: Barão de Mauá”

  1. Vida de Rico » Blog Archive » Matarazzo Says:

    [...] grupo industrial da América Latina, comparável ao império construído no século anterior pelo Barão de Mauá; o emblema do grupo (imagem ao lado) falava em Fides-Honor-Labor, ou seja, Fidelidade, Honra e [...]

  2. fatima Says:

    Li o livro e fiquei pasma em descobrir que genio foi Mauá. É pena que pouca gente conheça o empreendedorismo deste brasileiro.

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