Warren Buffett



November 14th, 2008

Nos meses recentes, enquanto a crise financeira cresceu, diversos investidores reduziram suas exposições em ações e migraram para outras aplicações, como títulos. Uma exceção foi a Berkshire Hathaway, controlada pelo bilionário Warren Buffett.

Entre outros investimentos, a Berkshire comprou US$ 3 bilhões de ações da General Electric e US$ 5 bilhões do banco Goldman Sachs; Buffett acredita que a crise baixou demasiadamente o valor das ações dessas companhias, e decidiu aproveitar a barganha.

Warren Buffett

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Além disso, talvez levada por motivos sentimentais (leia mais adiante a biografia de Buffett), a Berkshire emprestou US$ 6,5 bilhões para que a Mars adquirisse a Wrigley (tanto uma como outra são gigantes mundiais do setor de doces e chocolates).

Foi essa estratégia que levou a Berkshire a tornar-se sócia de alguns dos principais ícones da indústria americana, como a Coca-Cola e a Gillette. Buffett sente-se confortável negociando ações da economia real; segundo ele, “os americanos jamais deixarão de se barbear, de ter sua casa, suas roupas”. Buffett investe em ações de companhias que certamente sobreviverão às crises.

Pelo motivo inverso, tecnologia não é com ele (apesar de sua amizade íntima com Bill Gates). O investidor não caiu na euforia da internet, na década passada, e fugiu das ações da “nova economia”. As empresas da internet eram algo novo demais e arriscado demais, na avaliação de Buffett. Quando a bolha da internet explodiu, em 2000, o investidor, que chegou a ser ridicularizado por ser “ultrapassado”, acabou rindo por último. A Berkshire Hathaway saiu mais fortalecida do que nunca.

Buffett, hoje com 78 anos, ingressou no mundo dos negócios ainda criança. Segundo a biografia autorizada The Snowball: Warren Buffett and the Business of Life, escrita por Alice Schroeder e lançada nos Estados Unidos no final de setembro de 2008 (lançado no Brasil em dezembro de 2008: A Bola de Neve - Warren Buffett e o Negócio da Vida), Buffett começou sua fortuna aos 6 anos de idade.

O pequeno Warren comprava pacotes de bala e chicletes na loja de seu avô e em vez de devorá-los, revendia-os pelas ruas. As marcas de doce prediletas do garoto eram Juicy Fruit e Spearmint, produzidas justamente pela centenária fábrica Wrigley, cuja compra foi financiada por Buffett recentemente.

O apreço pelo mundo das finanças também veio cedo. Seu pai trabalhava em um banco e seus tios tinham uma corretora de ações. Ainda criança, Buffett tentava identificar um padrão observando a oscilação do preço das ações no quadro pendurado no escritório de seus tios. Na adolescência, começou a ler manuais de como ganhar dinheiro na bolsa.

Mas o livro que transformou definitivamente sua vida foi The Intelligent Investor, do investidor e professor da Universidade Colúmbia Benjamin Graham, lançado em 1949. Ali, pela primeira vez, Buffett vislumbrou um método coerente de ganhar dinheiro com ações. A leitura o estimulou a ir estudar em Colúmbia, onde foi admitido em 1950. Lá, teve aulas com o próprio Graham e David Dodd, outro grande investidor daquele período.

Buffett chegou a trabalhar em Nova York com seus mestres, mas seu sucesso veio mesmo quando retornou para a sua cidade natal, Omaha, no estado americano de Nebraska, onde vive até hoje – e com uma rotina para lá de simples para o homem mais rico do mundo.

Frasista inspirado, Buffett é o autor de tiradas que fazem parte do anedotário da crise atual. Alguns anos atrás, quando o mundo ainda vendia euforia, soltou ele: “Só saberemos quem está sem roupas quando a maré baixar”. Touché.

Em 2003, Buffett, em carta aos acionistas, alertou para o risco do crescimento de investimentos em derivativos (instrumentos financeiros destinados a dissipar riscos, mas que foram usados de maneira imprópria e alavancaram a bolha que acaba de estourar). “Uma grande quantidade de risco foi concentrada nas mãos de relativamente poucos vendedores de contratos de derivativos, o que pode desencadear graves problemas sistêmicos”, afirmou. E sentenciou: “Derivativos são armas financeiras de destruição em massa”. Touché mais uma vez, e mais uma vez o investidor saiu maior de uma crise do que quando entrou nela.

Remar contra a maré em pleno tsunami não é para qualquer um. Os poucos que o fazem – com a competência de Buffett, é claro – são sobejamente recompensados.

3 Responses to “Warren Buffett”

  1. Vida de Rico » Blog Archive » Bilionários pão-duros (ou excêntricos)? Says:

    [...] Vida de Rico Just another WordPress weblog « Warren Buffett [...]

  2. Vida de Rico » Blog Archive » Livro: A Bola de Neve - Warren Buffett e o negócio da vida Says:

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  3. Vida de Rico » Blog Archive » Mais ricos do mundo - 2009 Says:

    [...] mundo, agora com patrimônio de US$ 40 bilhões (perda de US$ 18 bilhões em um ano); em segundo, Warren Buffet, que era o mais rico do mundo no ano passado, com US$ 37 bilhões (queda de US$ 25 bilhões); em [...]

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